Deolane Bezerra e Outros Alvos da Operação Integration Têm Bens Bloqueados e Prisão Revogada
- joaogabrieldantas2009
- 25 de set. de 2024
- 4 min de leitura

A influenciadora Deolane Bezerra compareceu na manhã desta quarta-feira (25) à 12ª Vara Criminal do Fórum Rodolfo Aureliano, em Recife, para assinar o termo de compromisso do alvará de soltura, após ser detida na Operação Integration. Esta operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a casas de apostas online. Deolane, que irá responder ao processo em liberdade, chegou ao local às 8h30, acompanhada de seus advogados, e reafirmou sua inocência.
"Estou me sentindo muito bem. Quero agradecer a todos que realizaram um trabalho honesto. Muitas mentiras foram espalhadas. Tenho muita fé no Senhor Jesus Cristo e acredito que a Justiça será feita", declarou Deolane ao deixar o fórum.
Na entrada do fórum, a influenciadora foi recebida por fãs que a aguardavam junto à grade. Deolane aproveitou a ocasião para expressar sua gratidão ao desembargador Eduardo Guilliod Maranhão, relator do caso. Ele foi o responsável por conceder o relaxamento da prisão, atendendo ao pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do proprietário da Esportes da Sorte, uma das empresas envolvidas na investigação.

"Graças a Deus, o desembargador Eduardo Maranhão viu as ilegalidades no processo e tudo vai dar certo. Eu sou inocente. Agradeço aos que me apoiaram. Não posso falar sobre o processo, está em segredo de Justiça, mas posso falar que sou inocente", afirmou Deolane.
A influenciadora também informou que pretende ir para São Paulo para estar com seus filhos. Além disso, ela descreveu sua atividade nas redes sociais como "publicidade"Medidas cautelares

Na tarde da terça-feira (24), Deolane deixou a Colônia Penal Feminina de Buíque, localizada no Agreste de Pernambuco, onde estava detida desde o dia 10 de setembro. A Justiça havia determinado prisão domiciliar para a influenciadora, com o uso de tornozeleira eletrônica, porém, essa decisão foi revogada um dia após sua saída da prisão, devido ao descumprimento de medidas cautelares.
Ainda durante a tarde, a mãe de Deolane, Solange Alves Bezerra, também foi liberada da Colônia Penal Feminina, situada no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, onde estava detida desde o dia 4 de setembro. Após a saída, ela foi encaminhada à 12ª Vara Criminal da Capital, no Fórum Rodolfo Aureliano, no bairro da Ilha do Leite, em Recife, onde recebeu orientações sobre as medidas cautelares que deveria seguir.
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Conforme a decisão do desembargador ao acatar o pedido de habeas corpus para 18 investigados na Operação Integration, eles devem cumprir as seguintes medidas cautelares:
Não podem mudar de endereço sem prévia autorização judicial;
Não podem se ausentar da comarca onde residem sem autorização judicial;
Não podem praticar outra infração penal dolosa;
Devem comparecer, em até 24 horas, pessoalmente, à 12ª Vara Criminal da Capital para assinar o Termo de Compromisso, tomar ciência de todas as cautelares e informar o
endereço atualizado;
Não podem frequentar ou participar de decisões em empresas relacionadas à investigação da Operação Integration;
Estão proibidos de fazer publicidade ou citar qualquer plataforma de jogos.
Cronologia do caso
Em julho deste ano, Deolane Bezerra abriu a empresa de apostas Zeroumbet, com um capital de R$ 30 milhões. No dia 4 de setembro, a empresária e influenciadora digital foi presa durante a Operação Integration, que investigava uma quadrilha suspeita de movimentar cerca de R$ 3 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente de jogos de azar. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões de Deolane e de R$ 14 milhões da empresa dela por envolvimento em lavagem de dinheiro. Durante seu depoimento, a influenciadora afirmou que sua renda mensal era de R$ 1,5 milhão.
Além de Deolane, mais de 10 pessoas foram presas, incluindo o empresário Darwin Henrique da Silva Filho, dono da casa de apostas Esportes da Sorte, e sua esposa, Maria Eduarda Filizola. Em seu depoimento, Deolane confirmou a compra de um Lamborghini Urus S de Darwin por R$ 3,85 milhões. A Polícia Civil informou que os pagamentos à vista realizados por meio da compra e venda de carros de luxo, envolvendo a empresa e o empresário, levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente do jogo do bicho e de apostas esportivas.
Ainda no dia 4 de setembro, após sua prisão, Deolane escreveu uma carta, publicada no Instagram, na qual alegou ser vítima de "uma grande injustiça" e mencionou que sua família sofria preconceito, lamentando a prisão de sua mãe. Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, a Justiça decretou o sequestro de bens de vários alvos, incluindo aeronaves e carros de luxo, além do bloqueio de ativos financeiros no valor de R$ 2,1 bilhões. Ao todo, a polícia solicitou que R$ 3 bilhões fossem bloqueados.
No dia 9 de setembro, Deolane foi liberada da prisão após ser beneficiada por um habeas corpus, sendo colocada em prisão domiciliar com a obrigação de usar tornozeleira eletrônica. Na saída do presídio, ela falou com a imprensa, afirmando: "Foi uma prisão criminosa, cheia de abuso de autoridade por parte do delegado [...] Eu não posso falar sobre o processo. Eu fui calada".
Naquela mesma noite, uma nova carta de Deolane foi publicada no Instagram, onde ela agradeceu o apoio recebido e reafirmou sua inocência: "Agradeço imensamente o carinho e o apoio de todos, tenham certeza que não irão se arrepender, afirmo com todo o respeito que tenho por vocês, sou inocente e não há uma prova sequer", escreveu no trecho final.
No entanto, em 10 de setembro, a prisão domiciliar de Deolane foi revogada devido ao descumprimento de medidas cautelares, e ela foi encaminhada de volta ao presídio em Buíque, no Agreste de Pernambuco. No dia seguinte, 11 de setembro, o Tribunal de Justiça de Pernambuco negou outro pedido de habeas corpus feito pela defesa de Deolane, mencionando entre os motivos "o financiamento de manifestantes [para protestar contra a prisão dela] por iniciativa de familiares".
No dia 18 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou mais um pedido de liberdade para a influenciadora. No mesmo dia, a Polícia Civil informou que concluiu o inquérito da Operação Integration e o encaminhou ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Na sexta-feira, 20 de setembro, o MPPE solicitou novas diligências à Polícia Civil, sob o argumento de que precisavam "esclarecer os fatos sob investigação", e recomendou substituir as prisões preventivas decretadas por outras medidas cautelares. Finalmente, na segunda-feira, 23 de setembro, a 12ª Vara Criminal do Recife decretou a prisão do cantor Gusttavo Lima e do empresário Bóris Maciel Padilha, também sob suspeita de participação no esquema.



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