Brasil entra em período de chuvas com reservatórios em níveis preocupantes. Especialistas alertam para economia de agua.
- redação

- 21 de out. de 2024
- 3 min de leitura
O Brasil começou o período de chuvas sob o olhar atento para os níveis dos reservatórios que abastecem milhões de pessoas.

Brasil começa período de chuvas em atenção para nível dos reservatórios
Na capital paulista, a represa de Guarapiranga, que costuma garantir parte do abastecimento da região, apresenta um cenário preocupante.
Nesta segunda-feira (21), imagens aéreas feitas pelo Globocop mostraram trechos do reservatório parecendo um córrego. Atualmente, a represa está com apenas um terço de sua capacidade total.
Às margens de Guarapiranga, o recuo das águas revela o avanço da área seca, um reflexo do momento crítico enfrentado por um dos sete mananciais que abastecem 18,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo. O cenário é preocupante não só para a cidade, mas para grande parte do país. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, bacias hidrográficas em várias regiões – Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste – devem enfrentar níveis de estiagem extremos até o final de outubro.
Especialistas em recursos hídricos destacam a necessidade de conscientização sobre o uso da água. Marussia Whately, diretora do Instituto Água e Saneamento, reforça a importância de medidas preventivas:
"Não é que a situação é gravíssima, mas pode escalar para algo grave se, por acaso, tivermos um verão com menos chuva do que deveria. Ou mesmo com chuva na média, em alguns lugares, pode ser que não seja suficiente para entrarmos no próximo ano com segurança. Então, é uma situação de alerta, e que traz um desafio que é superimportante você agir de forma preventiva. Não dá para você esperar, contar que vai chover, e aí não chover. Então, o momento de começar a pensar sobre isso é agora", afirma Whately.
Além do abastecimento de água para a população, os reservatórios desempenham um papel essencial no fornecimento de energia elétrica, especialmente por meio das usinas hidrelétricas. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentra boa parte da geração elétrica do país, opera atualmente com 41% de sua capacidade – acima dos níveis da crise de 2021, mas significativamente abaixo dos índices registrados em 2023.
Na região Nordeste, os reservatórios estão com 46% da capacidade, enquanto em 2023 operavam com mais de 62%.
Apesar da queda acentuada em várias regiões, o sistema não está nos níveis críticos de 2014 e 2015, quando São Paulo enfrentou sua maior crise de abastecimento. No entanto, o subsistema Norte, puxado pela bacia do Tocantins, é o único que apresentou um leve aumento em relação a 2023.
Furnas, em Minas Gerais, uma das represas mais importantes do Brasil, está operando com apenas 30% de sua capacidade, abaixo da cota mínima recomendada. O professor Ildo Sauer, da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que, apesar da situação exigir cautela, não há risco iminente de falta de energia, graças à ativação de fontes alternativas, como as usinas termelétricas.
"Me parece que está fora do horizonte no momento. Agora, a consequência disso é que estamos usando termelétricas de custo elevado, muito além do que seria desejável se tivéssemos construído mais usinas hidráulicas, eólicas e fotovoltaicas do que temos hoje", alerta Sauer.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) declarou que os níveis dos reservatórios estão dentro das expectativas para este período do ano. Já a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirmou que o sistema de abastecimento está mais robusto e flexível desde a última crise hídrica, devido à maior interligação entre os reservatórios.



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