Cantareira Recebe Menos da Chuva Esperada e Aumenta Risco de Desabastecimento
- joaogabrieldantas2009
- 27 de set. de 2024
- 2 min de leitura

Imagem aérea da Represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira, capturada em 22 de setembro — Foto: LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO
Reservatórios de SP com Níveis Preocupantes
Na quinta-feira (26), o sistema integrado de reservatórios que abastece a Região Metropolitana de São Paulo operava com 49,9% de sua capacidade total, abaixo dos 52,5% registrados na mesma data em 2013, ano marcado por uma seca que precedeu a crise hídrica da última década.
De acordo com a Sabesp, responsável pela gestão de recursos hídricos no estado, a situação é resultado da seca severa que atinge diversas partes do território brasileiro. A companhia ressalta que não há desabastecimento em São Paulo no momento, mas reforça a necessidade do uso consciente da água em qualquer época do ano.
"Não estamos em uma situação confortável. O cenário é preocupante", observa a professora Ana Paula Fracalanza, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP).
Reservatórios de SP: Quadro Crítico
Dos quatro maiores reservatórios que compõem o sistema, apenas um apresenta volume de água superior ao registrado no ano anterior à crise hídrica.
Cenário do Cantareira em "Atenção"
Pela classificação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do governo federal (Cemaden), o Cantareira, o maior reservatório da região, se enquadra na faixa de "atenção", operando com metade de sua capacidade (volume entre 40% e 60%).
"Embora uma condição de normalidade tenha prevalecido na bacia entre março de 2023 e fevereiro de 2024 [devido a chuvas abundantes no último ano], o Sistema Cantareira tem enfrentado condições de seca hidrológica crítica desde o início de 2012, variando de fraca a excepcional", aponta o relatório divulgado pelo órgão no início de setembro.
Previsões Sombrías para o Cantareira
Segundo as medições do Cemaden, o reservatório recebeu apenas 42% da chuva esperada entre abril e agosto, que corresponde ao período de estiagem em São Paulo.
Se a região enfrentar um cenário de escassez de chuvas semelhante ao da crise hídrica de 2014, a projeção do Cemaden indica que o Cantareira poderá chegar ao final do período chuvoso (em março de 2025) com apenas 29% de sua capacidade, já operando na faixa de "restrição".
O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos três meses de primavera é que São Paulo registre chuvas abaixo da média histórica para a estação.
Para a professora Fracalanza, por se tratar de um sistema integrado, o cenário enfrentado pelos demais reservatórios e a falta de perspectiva de chuvas abundantes no período chuvoso (primavera-verão) torna o desabastecimento uma possibilidade.

Situação dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo nesta quinta (26) — Foto: Reprodução/Sabesp
A especialista diz que, caso esse cenário se concretize, quem primeiro sofrerá as consequências serão as pessoas em vulnerabilidade socioeconômica.



Comentários