Secretário de Transportes e Ex-Prefeito de Caxias é Alvo de Operação da PF por Falsificação de Cartão de Vacinação de Bolsonaro
- redação

- 4 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
O secretário estadual de Transportes e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (4), na segunda fase da Operação Venire. A investigação envolve a suposta fraude nos cartões de vacinação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Washington Reis e Célia Serrano — Foto: Reprodução
De acordo com os registros do Ministério da Saúde, Bolsonaro teria recebido duas doses da vacina contra a Covid-19 no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias, nos dias 13 de agosto e 14 de outubro de 2022. No entanto, a PF alega que esses dados foram inseridos no sistema somente em 21 de dezembro, pelo então secretário municipal de Governo de Caxias, João Carlos de Sousa Brecha, e removidos seis dias depois por Claudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, que alegou "erro".
A suposta falsificação dos cartões de vacinação visava permitir a entrada de Bolsonaro, seus familiares e assessores próximos nos Estados Unidos, burlando a exigência de vacinação obrigatória. Bolsonaro deixou o Brasil no penúltimo dia de seu mandato.
Em 27 de dezembro, um computador registrado no Palácio do Planalto acessou o ConecteSUS para gerar os certificados de vacinação para impressão. Na época, Bolsonaro afirmou que não havia tomado a vacina e negou qualquer adulteração nos registros de saúde dele e de sua filha, Laura. “Nunca me foi pedido cartão de vacina em lugar nenhum, não existe adulteração da minha parte. Eu não tomei a vacina, ponto final. Nunca neguei isso”, declarou.
Nesta quinta-feira, mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), com o objetivo de identificar novos beneficiários do esquema fraudulento.
O Globocop flagrou Washington Reis em sua mansão em Xerém enquanto agentes circulavam pelo local. Célia Serrano, secretária de Saúde de Duque de Caxias, também é alvo da operação.

PF cumpre mandados contra ex-prefeito de Duque de Caxias
O portal da TV Globo na internet, g1 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Transportes e com a Prefeitura de Duque de Caxias, mas ainda aguarda resposta. Em nota, o Governo do Estado afirmou que a operação "tem como alvo único e exclusivo a obtenção de cartões de vacinação relacionados ao município de Duque de Caxias, em 2022" e que "não existe nada referente ao Governo do Rio na investigação, nem fatos que comprometam a conduta do secretário Washington Reis".
A primeira fase da Operação Venire foi deflagrada pela PF em maio do ano passado, com Jair Bolsonaro como um dos 16 alvos de buscas. Na ocasião, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, e outros cinco suspeitos foram presos:
Sargento Luis Marcos dos Reis, da equipe de Mauro Cid
Ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros
Policial militar Max Guilherme, da segurança presidencial
Militar do Exército Sérgio Cordeiro, também da proteção pessoal de Bolsonaro
Secretário municipal de Governo de Duque de Caxias, João Carlos de Sousa Brecha
O esquema teria adulterado os cartões de vacina de Jair Bolsonaro, sua filha Laura, assessores do então presidente e do deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ), irmão do ex-prefeito de Duque de Caxias.
A operação foi nomeada "Venire", em referência ao princípio “Venire contra factum proprium”, que significa “vir contra seus próprios atos”, um princípio base do Direito Civil e do Direito Internacional que proíbe comportamentos contraditórios.



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