Recife retira hidroxicloroquina e cloroquina do protocolo de tratamento hospitalar da Covid-19
- redação

- 26 de mai. de 2020
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Logo após OMS apontar risco de morte, anúncio foi feito pelo secretário de Saúde da cidade, Jaílson Correia, em entrevista coletiva transmitida pela internet, nesta segunda (25).

Recife retira cloroquina e hidroxicloroquina do protocolo de tratamento hospitalar
A prefeitura do Recife anunciou, nesta segunda-feira (25), a retirada da cloroquina e da hidroxicloroquina do protocolo de tratamento hospitalar de pacientes com Covid-19. Estudos recentes mostraram que a droga não é eficaz contra a doença e pode aumentar o risco de morte. A Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu a utilização das substâncias em pesquisas que ela coordenava com cientistas de 100 países (veja vídeo acima).
Em coletiva de imprensa transmitida na internet, nesta segunda-feira, o secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia, afirmou que, mesmo antes da publicação do estudo, a cidade já não recomendava o uso do medicamento no atendimento em unidades básicas de saúde.
"A partir do risco aumentado, demonstrado para pacientes que usam cloroquina e hidroxicloroquina, o núcleo de Evidência da Prefeitura do Recife, que subsidia essa decisão, não só não recomendará o uso da cloroquina e hidroxicloroquina na atenção primária, como também vai retirar a medicação do protocolo de uso hospitalar, que até então seguia o protocolo usado no estudo Solidarity", declarou Jaílson Correia. Na semana anterior, mesmo sem evidências científicas que comprovassem a eficácia dos medicamentos contra a Covid-19, o Ministério da Saúde (MS) divulgou um documento com orientações para uso da cloroquina. A droga foi motivo de discórdia entre dois ex-ministros da Saúde e e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Tanto Luiz Henrique Mandetta quanto Nelson Teich, ambos médicos, alertaram para os efeitos colaterais dos remédios, mas, mesmo assim, Bolsonaro defendeu o uso deles contra a Covid-19. O primeiro foi demitido e o segundo pediu demissão menos de um mês após assumir o cargo. Além da questão da cloroquina, os dois ex-ministros divergiram do presidente quanto ao isolamento social. Desde o início de maio, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco está investigando a conduta de médicos que, em parceria com a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC), participam de um programa que promove tratamento e administração de remédios como a cloroquina em comunidades carentes do Recife. "A posição da prefeitura parte de um pressuposto bioético que diz assim: 'primum non nocere'. É uma expressão em latim que diz que, em primeiro lugar, não fazer o mal. O princípio da não-maleficência", afirmou Jaílson Correia. Na rede estadual, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Centro do Recife, é uma referência no tratamento de pacientes com a Covid-19, e faz parte da rede de hospitais que avaliam o uso da hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento. Entretanto, isso ocorria apenas em âmbitos de testes clínicos, com termo de consentimento do uso assinado, como mandava, até então, a OMS. De acordo com o chefe do setor de infectologia da unidade, Demétrius Montenegro, a nova recomendação da OMS já está sendo aplicada no hospital. Quem já estava utilizando a droga concluirá o tratamento, mas nenhum novo paciente entrará no ensaio.
"Hoje de manhã, fomos surpreendidos por uma nota e um comunicado via e-mail, da OMS, em que ela pediu a todos os hospitais que faziam parte desse estudo em suspender o braço que utiliza cloroquina no estudo. Além dela, outras drogas também eram utilizadas para avaliação do tratamento da Covid-19. No entanto, elas ainda não chegaram no hospital", declarou.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a suspensão foi determinada depois da divulgação dos resultados do estudo publicado na sexta-feira (22) na revista científica "The Lancet".
A pesquisa, feita com 96 mil pessoas, apontou que não houve eficácia das substâncias contra a Covid-19 e detectou risco de arritmia cardíaca nos pacientes que as utilizaram.
A mesma revista, que existe há 196 anos e é uma das mais respeitadas do mundo na área de saúde, criticou Bolsonaro em um editorial e disse que "talvez a maior ameaça à resposta à Covid-19 para o Brasil seja o seu presidente, Jair Bolsonaro".
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que não recomendava o uso da droga e que "apenas orientava o profissional médico a avaliar seu uso de acordo com nota técnica do Ministério da Saúde", mas que, agora, "sugere que os médicos sigam a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de suspender o uso das substâncias nos pacientes com Covid-19".
No caso específico do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), que participa de estudo da OMS, em parceria com a Fiocruz no Brasil, "a própria OMS já solicitou a suspensão da medicação em novos pacientes até completar as análises das últimas informações científicas". UTIs
De acordo com a secretária-executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco, Luciana Albuquerque, Pernambuco tem, atualmente, pouco mais de 180 pessoas na fila por tratamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Apesar do número expressivo, segundo ela, houve uma redução.
"Já chegamos a 300 pessoas esperando por um leito de UTI. Isso tem relação com o esforço para ampliação diária desses leitos. Um mês atrás tínhamos 709 leitos dedicados à Covid-19, sendo 330 de UTI. Quinze dias a mais, eram 990 leitos, com 512 de UTI. Uma semana atrás, tínhamos 1.249 vagas, com 557 de terapia intensiva e, hoje, chegamos a 1.377 leitos, sendo 614 de UTI", declarou a secretária.

Pernambuco chega a 28.366 casos e 2.248 mortes por Covid-19
Covid-19 em Pernambuco
Foram confirmados, nesta segunda-feira (25), em Pernambuco mais 48 óbitos e 607 casos da Covid-19. Com isso, o estado passou a ter 2.248 mortes e 28.366 confirmações dessa doença causada pelo novo coronavírus, números que começaram a ser registrados em março, no início da pandemia (veja vídeo acima).



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