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'NÃO VEJO NENHUM SENTIDO DE O BRASIL SAIR DA OMS', DIZ PRESIDENTE DA FIOCRUZ


Se tivermos aglomerações, infelizmente os casos aumentarão', afirma Nísia Trindade


Nísia Trindade Lima, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), defendeu, em conversa ao vivo com a coluna pelo Instagram neste sábado, a permanência do Brasil na Organização Mundial da Saúde (OMS), possibilidade cogitada por Jair Bolsonaro na sexta-feira.



"Não vejo nenhum sentido de o país sair da OMS. O Brasil, inclusive, propôs sua criação após a Segunda Guerra. Cooperação internacional é fundamental e faz parte da história da Fiocruz, especialmente na pandemia", disse a pesquisadora.

Bolsonaro ameaçou retirar o país da OMS, acusando-a de"viés ideológico", sem apontar por que dizia isso.


À frente da fundação que completou 120 anos em maio, Trindade pediu cautela ao flexibilizar o isolamento social e sentenciou:


"Em estados com muito casos de Covid-19, como o Rio, as medidas de isolamento devem ser mantidas. É preciso muito cuidado. Temos de proteger vidas. Se tivermos aglomerações, infelizmente teremos aumento de casos".

Nísia Trindade afirmou que a Fiocruz terá capacidade de produzir para todo o país a vacina definida contra o coronavírus, e defendeu que a transparência de dados da pandemia é tão vital quanto uma vacina.

Leia os principais trechos da entrevista:


Estamos perto de alcançar o pico do coronavírus no Brasil?

Não dá para afirmar de forma muito segura. Isso vai depender das medidas tomadas neste momento. Para fazer efeito, cada medida leva 15 dias, que é o ciclo da doença. Em geral, há uma expectativa de que ainda haja aumento de casos nas próximas três semanas. Mas os cenários mudam a cada dia. O mais importante é compreendermos que a situação exige muito cuidado. Se tivermos aglomerações, infelizmente os casos aumentarão.

Em que pé estão as pesquisas no mundo para encontrar uma vacina contra o coronavírus?

No momento, a forte tendência é de que ela venha do exterior, onde as pesquisas estão mais avançadas.Existem diferentes vacinas em desenvolvimento, em todo o mundo. Algumas estão em ensaio clínico, com pesquisas em pessoas para avaliar-se a eficácia, com critérios éticos e científicos bem precisos. Estamos analisando junto ao Ministério da Saúde e laboratórios as vacinas mais avançadas, e o que será necessário para o Brasil produzir uma vacina, após comprovação de segurança e eficácia. Teremos condições de produzi-la. Há importantes grupos de pesquisadores no Brasil, inclusive na Fiocruz, trabalhando em vacinas.

Quanto tempo isso levaria?

É muito difícil obter uma vacina em menos de 18 meses. Estamos fazendo o máximo para que isso ocorra o quanto antes, para que a população brasileira tenha acesso à vacina, por meio do Sistema Único de Saúde. Houve uma decisão muito importante na OMS para que vacinas e medicamentos contra a Covid-19 sejam considerados bens públicos.


Qual é a importância da OMS? O presidente afirmou que estuda retirar o Brasil do grupo.

Não vejo nenhum sentido de o país sair da OMS. O Brasil, inclusive, propôs sua criação após a Segunda Guerra. Cooperação internacional é fundamental. Há fóruns para reorientar ações. Trabalhamos muito com outros países. A cooperação internacional faz parte da história da Fiocruz em seus 120 anos. Assim que a fundação foi criada, tivemos de perto a experiência da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e tantos outros pesquisadores brasileiros foram reconhecidos lá fora. 

O isolamento social tem sido afrouxado em vários estados. É o momento?

Em estados com muitos casos, como o Rio de Janeiro, deve-se manter o isolamento. É importante analisar cada cenário. Não é uma regra só para todo o país. Muitas pessoas ainda estão sujeitas a contrair a Covid-19. Há que se ter muito cuidado nessa hora, com atenção especial ao transporte público. A classe média tem condições de trabalhar em casa. Temos de proteger vidas.


Por que é importante exigir transparência na divulgação de dados da doença? O governo agora oculta o total de mortes.

Fala-se muito em testes, leitos de UTI, atendimento de saúde, mas a informação, com transparência, é um instrumento fundamental contra o coronavírus. A Fiocruz contribui para importantes sistemas de análise de dados. Sem dados atualizados da doença, é impossível estabelecer diretrizes na pandemia. Os dados estão em patamar de importância de vacinas e testes: são vitais. Não estamos falando de verdades absolutas, mas a ciência tem método, pode ser demonstrada e checada. Por isso, há grande aproximação entre ciência e democracia.

Assista ao vídeo da entrevista:

 
 
 

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