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Infectologista da UFRJ alerta contra flexibilização: ‘Não é para abrir, é para fechar mais’

Em entrevista ao Bom Dia Rio, Roberto Medronho afirma que o RJ ainda chegará ao pico de casos de coronavírus. Estudo da universidade mostra que taxa de transmissão ainda é alta.


Em entrevista ao Bom Dia Rio desta segunda-feira (1), o infectologista Roberto Medronho fez um alerta contra as propostas de flexibilizar as medidas restritivas da pandemia de coronavírus. "Não é para abrir, é para fechar mais", afirmou.


Em reuniões separadas nesta segunda, o governador Wilson Witzel e o prefeito Marcelo Crivella definem como será a reabertura gradual da economia no estado e na capital.

Medronho, no entanto, acredita que ainda não é o momento de afrouxar a quarentena.


"É hora de a gente dar uma boa segurada, para quando liberar, fazer com mais tranquilidade", disse. "Os países que abriram na descendente da curva estão reavaliando fechar novamente. A população estava bem treinada, mas o número de casos subiu. Aqui, eu tenho muito medo de que exploda", explicou. No boletim deste domingo (31), a Secretaria Estadual de Saúde contava no RJ 5.344 mortes e 53.388 casos confirmados.


Mortes confirmadas no RJ por Covid-19

Primeiros óbitos foram registrados em 19 de março

Fonte: SES-RJ



Casos e mortes de Covid-19 por dia no RJ

Registros até o boletim de 31 de maio



Alto contágio

Uma nota técnica da UFRJ deste fim de semana estima que o estado chegue ao pico de casos nesta semana. "Depois, a curva começa a descer", acrescentou o infectologista.

O texto apresenta o "Covidímetro", um medidor que acompanha a taxa de replicação do vírus. O número mostra para quantas pessoas um infectado passa o vírus. Numa epidemia, esse indicador deve ficar sempre abaixo de 1.

A UFRJ estima que, hoje, o Covidímetro aponte para 2,25 no estado.

"Do jeito que nós estamos e com este isolamento, que não foi a contento, uma pessoa infectaria duas, que infectariam quatro. Nenhum país abriu na ascendente da curva", detalhou Medronho.

Covidímetro da UFRJ — Foto: Reprodução/TV Globo


Covidímetro da UFRJ para Baixada, Grande Niterói e Niterói — Foto: Reprodução/TV Globo


Duas semanas de espera

Medronho também apresentou a projeção da UFRJ que mostra o pico da Covid-19.

"Se tiver que abrir desesperadamente, eu esperaria duas ou três semanas no mínimo. Senão vai ter um repique dessa curva", afirmou.

O infectologista explica que uma reabertura descontrolada pode elevar o Covidímetro para 6, "mesmo número de lá atrás".

O ideal, segundo Medronho, é que o ponteiro aponte para o amarelo, que é abaixo de 1. "Dez pessoas contaminam oito, oito contaminam seis, até que a doença desaparece", ensinou.


Roberto Medronho, infectologista da UFRJ — Foto: Reprodução/TV Globo

Pico móvel

Medronho explicou que não há dificuldade em se prever quando será o pico da doença.


“A semana do pico ia ser lá atrás”, afirmou. “Se o governo do estado não tivesse adotado, de forma corajosa, no dia 13 de março, o isolamento, teríamos estourado há muito tempo.”

“Agora, estamos muito próximo do pico porque a mobilidade aumentou”, acrescentou.

 
 
 

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