EUA pressionam por maior implementação de resolução da ONU sobre conflito Israel-Hezbollah
- redação

- 21 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Os Estados Unidos estão pressionando por uma aplicação mais rigorosa da Resolução 1701 da ONU, que pôs fim à guerra entre o Hezbollah e Israel em 2006.

Amos Hochstein, enviado especial dos EUA, fez essa declaração durante uma visita a Beirute nesta segunda-feira (21).
"Apenas se comprometer com a Resolução 1701 não é suficiente", afirmou Hochstein em uma coletiva de imprensa após uma reunião com Nabih Berri, porta-voz do parlamento libanês e líder do partido xiita Amal, aliado do Hezbollah.
"A Resolução 1701 conseguiu encerrar a guerra em 2006, mas precisamos ser honestos, pois sua implementação nunca foi devidamente feita… isso tem que mudar", destacou.
A Resolução 1701 foi elaborada para estabelecer um cessar-fogo permanente no sul do Líbano, exigindo que o Hezbollah se retirasse das áreas ao norte do rio Litani, e determinava que apenas as Forças Armadas Libanesas (LAF) mantivessem o controle entre o rio e a fronteira com Israel. Hochstein reforçou que essa resolução continua sendo um marco essencial para qualquer acordo de cessar-fogo no atual conflito, mas que "precisa ser implementada para ganhar credibilidade."
O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, já afirmou repetidamente o compromisso de seu governo com a Resolução 1701, enviando mais tropas das LAF para o sul do país. As autoridades dos EUA, segundo fontes, estão aproveitando a pressão militar israelense no Líbano para exigir uma "implementação real" da resolução e a restauração do controle das LAF na região sul.
Contexto do Conflito
A intensificação das tensões no Oriente Médio começou após um ataque com mísseis do Irã a Israel em 1º de outubro, marcando uma nova fase do conflito regional. De um lado está Israel, apoiado pelos EUA, e do outro o chamado Eixo da Resistência, que conta com o apoio militar e financeiro do Irã e de diversos grupos paramilitares.
Atualmente, há sete frentes de combate abertas: o Irã, o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano, o governo da Síria e suas milícias, os Houthis no Iêmen, grupos xiitas no Iraque e militantes na Cisjordânia.
Israel mantém tropas em três dessas frentes — Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza — e realiza ataques aéreos nas outras regiões. Desde 30 de setembro, o Exército israelense iniciou uma “operação terrestre limitada” no Líbano, logo após a morte do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um ataque aéreo ao quartel-general do grupo em Beirute.
Israel afirma que suas forças eliminaram grande parte da liderança do Hezbollah nas últimas semanas.
O conflito já provocou um dos dias mais sangrentos no Líbano desde a guerra de 2006, com mais de 500 mortes no dia 23 de setembro. Ao menos dois adolescentes brasileiros estão entre as vítimas, o que levou o governo brasileiro a condenar os ataques e anunciar uma operação para repatriar cidadãos brasileiros do Líbano.


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