A Crise do Café: Queimadas e Seca Atingem Produção e Aumentam Preços no Brasil
- joaogabrieldantas2009
- 27 de set. de 2024
- 2 min de leitura

Mudanças climáticas e redução da oferta impactam preço do café no Brasil e no mundo
Aumento do Preço do Café em 2024
Os efeitos são visíveis: o aumento do preço do café superou a inflação oficial em 2024.
É inegável que o café é uma paixão nacional. O Brasil ocupa o segundo lugar no consumo mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com quase 23 milhões de sacas consumidas em 2023. No entanto, quem compra o café na rua ou no supermercado já percebeu a diferença nos preços.
“Café, eu lembro que pagava em torno de R$ 12, R$ 14 e, agora, está R$ 20, R$ 20 e poucos. Realmente aumentou bastante”, afirma a administradora Márcia Fabri.
Em 2023, o aumento no preço do café superou 20%, bem acima da inflação acumulada de 2,85% no mesmo período. Desde 2021, o preço do café teve uma alta de 98%, enquanto o salário mínimo aumentou apenas 28%.
O café é um item da cesta básica e, quando o preço sobe excessivamente, isso impacta o orçamento das famílias. Além disso, há um agravante: quando frutas ou verduras ficam caras, é possível substituir por outros alimentos. No entanto, para quem está acostumado a tomar café quente todas as manhãs, a troca por chá ou outra bebida não é viável. Simplesmente não dá para ficar sem.
“Ele é como o arroz com feijão, dificilmente ele falta no carrinho de compras. Então, qualquer aumento em um produto que tem preferência nacional, acaba comprometendo mais o orçamento familiar. Então, significa que as famílias acabam pagando mais caro pelo produto e tendo que abrir mão de outros itens menos essenciais para ter o café na mesa todos os dias”, afirma o economista André Braz, do FGV Ibre.
O que fez o preço de um pacote de 500 g de pó de café ultrapassar R$ 20 nos supermercados? O café é um produto internacional, e seu preço é cotado em dólar, o que significa que a variação do câmbio impacta diretamente os preços em reais.
Além disso, mudanças climáticas ao redor do mundo reduziram a oferta do produto no mercado global. No Vietnã, o segundo maior produtor mundial, uma seca histórica seguida de um tufão devastou plantações, agravando ainda mais a situação.
Brasil é o maior produtor e exportador de café, mas as plantações aqui também enfrentam dificuldades. Em Pedregulho e Altinópolis, no interior de São Paulo, as queimadas destruíram grande parte da lavoura em duas fazendas.
“Estou na fazenda há 35 anos. Este ano é atípico; nunca vivenciamos uma seca tão drástica com temperaturas altíssimas”, relata o técnico em agropecuária Luís Alves Silva.
Na região de Patrocínio, em Minas Gerais, 20% da safra já está comprometida. “Foi um ano atípico, pois no dia 11 de agosto tivemos geada. E agora estamos há 150 dias sem chuva na região. O que precisamos mesmo é de chuva”, afirma o produtor de café Renato Teixeira.


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